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Fala Imobi

Construção abre 20,8 mil vagas em agosto, mas ritmo deve desacelerar

Saldo positivo no setor contrasta com juros médios do financiamento imobiliário em alta e incerteza regulatória; incorporação registra criação marginal de empregos

Por Kaio Henrique · Publicado em · 2 min de leitura

A construção civil gerou 20.848 novos postos de trabalho em agosto de 2026, segundo o Novo Caged. O SindusCon-SP aponta tendência de desaceleração devido ao fim de obras públicas eleitorais e custos trabalhistas, enquanto a taxa Selic em 13,75% pressiona o crédito imobiliário.

Novos empregos na construção em agosto
20.848
Ministério do Trabalho e Emprego (Novo Caged), 29/09/2026
Novos empregos na incorporação imobiliária em agosto
699
Ministério do Trabalho e Emprego (Novo Caged), 29/09/2026
Meta da taxa Selic
13,75%
Banco Central do Brasil, 17/09/2026
Taxa média de juros do financiamento imobiliário (PF)
11,30%
Banco Central do Brasil, Julho de 2026

Contratação robusta na obra, tímida na incorporação

A indústria da construção abriu 20.848 vagas com carteira assinada em agosto, variação de 0,67% sobre julho. O setor foi responsável por 12,57% de todos os novos postos de trabalho na economia brasileira no mês, ficando atrás apenas de serviços.

No acumulado do ano, a construção criou 200.431 vagas. Já a incorporação imobiliária, classificada na atividade de serviços, registrou saldo positivo de 699 empregos em agosto, alta de 0,34% em relação ao mês anterior.

Juros elevados e Selic em 13,75% freiam a demanda

A meta da Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026. Esse patamar reflete diretamente no custo do crédito: a taxa média de juros para financiamento imobiliário pessoa física fechou julho em 11,30% ao ano, segundo o Banco Central.

Para um imóvel de R$ 500.000,00 financiado em 360 meses, a parcela inicial pela tabela Price atinge R$ 4.668,84 nessa taxa média. Se o cliente optar por taxas de mercado, que podem chegar a 14,28%, a parcela salta para R$ 5.696,65.

Perspectiva de desaceleração apontada pelo SindusCon-SP

Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP, analisa que a tendência é de redução no ritmo de contratações. O fim das obras públicas no período eleitoral e a diminuição de novos contratos tendem a encolher o saldo de admissões.

Além disso, persiste o temor de fechamento de postos se for aprovada a redução da escala de trabalho 6x1. A medida elevaria os custos do setor, inibindo novas contratações e pressionando a margem das construtoras.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para o corretor, o emprego na obra sustenta a oferta de imóveis novos, mas a diferença de R$ 1.157,02 na parcela entre taxas de mercado e reguladas para R$ 500 mil exige foco em clientes com maior capacidade de entrada ou uso de FGTS. Para o investidor, a criação marginal na incorporação e o custo do crédito sugerem cautela com lançamentos que dependem de vendas rápidas para equilibrar o fluxo de caixa.

Perguntas frequentes

A alta no emprego na construção significa que os preços dos imóveis vão subir?

Não necessariamente. Embora o setor tenha aberto 20.848 vagas em agosto, a incorporação criou apenas 699. A desaceleração prevista pelo SindusCon-SP e os juros elevados (Selic a 13,75%) tendem a esfriar a demanda, exercendo pressão para estabilização ou ajuste de preços, não alta generalizada.

Qual o impacto da taxa Selic no financiamento?

A Selic em 13,75% mantém o custo do dinheiro alto. Isso se reflete na taxa média de 11,30% dos financiamentos imobiliários. Para um imóvel de R$ 800.000,00, a parcela inicial é de R$ 7.470,14, valor que pode subir para R$ 9.114,64 com taxas de mercado de 14,28%.

Fontes

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