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MCMV cresce na capital de São Paulo e recua no interior no 1º semestre

Participação do programa nos lançamentos em 42 municípios caiu 6,9 pontos percentuais, para 48,9%, aponta pesquisa Secovi-SP/Brain.

Por Kaio Henrique · Publicado em · 2 min de leitura

Na capital paulista, o Minha Casa, Minha Vida ampliou participação nos lançamentos e vendas no primeiro semestre de 2026, enquanto o interior registrou queda, segundo levantamento do Secovi-SP e Brain. A fatia do programa no agregado de 42 cidades foi de 48,9%, recuo de 6,9 p.p. em relação ao período anterior. A mudança reflete o enriquecimento das cidades do interior, conforme avaliação do sindicato.

Participação do MCMV nos lançamentos em 42 cidades paulistas
48,9%
Secovi-SP/Brain, 1º semestre de 2026
Queda na participação em relação ao período anterior
-6,9 p.p.
Secovi-SP/Brain, 1º semestre de 2026
Taxa Selic (meta)
13,75% a.a.
Banco Central do Brasil, 17/09/2026
Juros médios do financiamento imobiliário (PF)
11,30% a.a.
Banco Central do Brasil, julho de 2026

Capital ganha espaço, interior perde fôlego

Enquanto a cidade de São Paulo seguiu com alta na fatia de lançamentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), os municípios do interior paulista frearam a dependência do programa no primeiro semestre de 2026. O levantamento do Secovi-SP, elaborado pela consultoria Brain, mostra que, no agregado de 42 cidades monitoradas, a participação do MCMV caiu para 48,9% — 6,9 pontos percentuais a menos que no período imediatamente anterior.

A capital conseguiu compensar parte da retração do interior, mas o resultado geral reforça um movimento de distanciamento das praças fora da região metropolitana em relação ao programa habitacional federal.

Enriquecimento do interior mudou perfil

Segundo Wertheim, do Secovi-SP, a explicação está no enriquecimento das cidades do interior. "A mudança no perfil ocorreu pelo enriquecimento das cidades do interior paulista", afirmou. Com maior poder aquisitivo, as famílias passam a buscar imóveis de médio padrão, financiados fora das linhas com subsídio do MCMV.

Isso levou as incorporadoras a ajustarem seus lançamentos: menos unidades no programa e mais empreendimentos voltados para o segmento de mercado.

Juros elevados mantêm MCMV atrativo na ponta de lá

Com a Selic em 13,75% a.a. e os juros de financiamento imobiliário de mercado a 14,28% a.a. (BCB, julho/2026), o MCMV entrega uma diferença significativa no bolso do comprador. Para um financiamento de R$ 800 mil, a parcela cai de R$ 9.114,64 (mercado) para R$ 7.263,42 (taxa regulada de 10,92% a.a.) — economia de R$ 1.851,22 por mês, considerando tabela Price em 360 meses.

Mesmo com a retração no interior, o programa segue como pilar para a habitação de interesse social e âncora de vendas na capital, onde a demanda por imóveis até o teto do MCMV permanece aquecida.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para o corretor: na capital, a base de clientes MCMV continua firme e exige agilidade no encaminhamento de propostas com subsídio; no interior, o foco migra para clientes de médio padrão, que dependem menos do programa e mais de financiamento bancário tradicional. Para o investidor: a concentração do MCMV na capital pode valorizar terrenos nas faixas do programa, enquanto no interior há oportunidade para empreendimentos sem amarras de subsídio, com margens potencialmente maiores e público de renda mais elevada.

Perguntas frequentes

Por que o MCMV está perdendo participação no interior de SP?

Segundo o Secovi-SP, as cidades do interior se enriqueceram economicamente, reduzindo o número de famílias na faixa de renda do programa. Isso fez com que as incorporadoras lançassem mais imóveis fora do MCMV.

Quanto custa financiar um imóvel de R$ 500 mil fora e dentro do MCMV?

Fora do programa, com juros de mercado de 14,28% a.a., a parcela é de R$ 5.696,65 (Price 360 meses). No MCMV, com taxa regulada de 10,92% a.a., a parcela cai para R$ 4.539,63, uma economia de R$ 1.157,02 por mês.

Onde o MCMV mais cresce em São Paulo?

Na capital paulista, o programa ampliou sua participação nos lançamentos no primeiro semestre de 2026, enquanto no interior houve retração, segundo o Secovi-SP/Brain.

Fontes

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