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Preços de imóveis sobem 14,7% em 12 meses, mas ritmo de valorização perde força pelo 5º mês

IGMI-R avança 0,87% em agosto, mas acumulado em 12 meses recua para 14,73%; capitais como Recife e Curitiba ainda registram altas acima de 20%

Por Kaio Henrique · Publicado em · 2 min de leitura

O IGMI-R subiu 0,87% em agosto, mas o acumulado em 12 meses caiu para 14,73%, o quinto recuo consecutivo. Em março, a alta anual beirava 20%. A valorização segue acima da inflação (4,22%) e também acima do custo do crédito imobiliário (11,30% a.a.). Recife lidera com 25,81% em 12 meses.

Valorização dos imóveis em 12 meses (IGMI-R, ago/2026)
14,73%
Abecip, 29/09/2026
IPCA acumulado em 12 meses (ago/2026)
4,22%
IBGE, agosto/2026
Juros médios do financiamento imobiliário (jul/2026)
11,30% a.a.
Banco Central, julho/2026
Maior alta em 12 meses – Recife
25,81%
Abecip, 29/09/2026
Parcela mensal (Price, 360 meses, 11,30% a.a.) para R$ 300 mil, R$ 500 mil e R$ 800 mil
R$ 2.801,30 / R$ 4.668,84 / R$ 7.470,14
Simulação com dados do Banco Central, julho/2026

Ritmo de alta perde força pelo quinto mês

O IGMI-R (Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial) subiu 0,87% em agosto, após alta de 0,61% em julho, segundo a Abecip. O acumulado em 12 meses, porém, recuou para 14,73% – o quinto mês seguido de desaceleração. Em março, o índice beirava 20%.

No ano, a alta é de 6,56%, abaixo dos 10,19% registrados no mesmo período de 2025 e dos 9% de 2024, mas ainda superior às taxas de 2016 a 2019 e de 2023.

O índice de aluguéis IVAR, da FGV, acumulou 5,09% em 12 meses, reforçando que os preços de venda não refletem apenas custos de construção, mas também oferta, demanda e crédito.

Recife, Curitiba e Salvador puxam a valorização

O movimento não é uniforme. Recife lidera com 25,81% de alta em 12 meses, seguido por Curitiba (21,19%), Salvador (19,20%), Brasília (18,41%) e Porto Alegre (16,66%). Todas acima da média nacional de 14,73%.

Em agosto, Porto Alegre teve a maior alta mensal (1,66%), à frente de Belo Horizonte (1,65%) e Recife (1,44%). Curitiba foi a única capital com queda no mês (-0,23%), mas ainda acumula 8,82% no ano.

São Paulo subiu 0,81% em agosto e 5,57% no ano, abaixo dos 6,56% do índice nacional.

Inflação e juros: o custo real da compra

A valorização de 14,73% supera com folga o IPCA de 4,22% no mesmo período. O juro médio do financiamento imobiliário, de 11,30% ao ano (BC, julho/2026), também fica abaixo da valorização. O custo do crédito está 7,08 pontos percentuais acima da inflação.

Na prática, o comprador que financia paga um preço que sobe mais que o juro da dívida. Isso exige mais cautela na análise de retorno.

Simulação: quanto custa financiar hoje

Com a taxa média de 11,30% a.a. e prazo de 360 meses (tabela Price), a parcela mensal fica em:

• R$ 300 mil: R$ 2.801,30

• R$ 500 mil: R$ 4.668,84

• R$ 800 mil: R$ 7.470,14

Para taxas de mercado (14,28% a.a.), as parcelas sobem para R$ 3.417,99, R$ 5.696,65 e R$ 9.114,64, respectivamente. Já nas linhas reguladas (10,92% a.a.), caem para R$ 2.723,78, R$ 4.539,63 e R$ 7.263,42.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para o corretor: o cliente que pergunta se 'vale a pena comprar agora' precisa entender que os preços ainda sobem, mas em ritmo menor. A alta real (acima da inflação) existe, mas o custo do financiamento está elevado. Mostre simulações com a taxa do banco e compare com o IPCA. Em capitais como Recife e Curitiba, a valorização acima da média ainda exige agilidade na negociação. Para o investidor: o retorno com aluguel (IVAR em 5,09%) fica muito abaixo do custo de oportunidade (Selic em 13,75%). Com juros reais altos, a compra para renda só se justifica se houver desconto relevante ou expectativa de valorização acima da média. A desaceleração do índice nacional sugere que o pico de valorização pode ter ficado para trás, mas mercados locais ainda oferecem janelas.

Perguntas frequentes

Os preços dos imóveis ainda estão subindo?

Sim, mas o ritmo está diminuindo. Em agosto, a alta mensal foi de 0,87% e o acumulado em 12 meses caiu para 14,73%, ante quase 20% em março. A tendência é de desaceleração gradual.

Vale a pena comprar agora ou esperar?

Depende do objetivo e da praça. Para moradia, se a parcela cabe no orçamento e o imóvel está em região com boa demanda, a compra pode fazer sentido, pois os preços ainda sobem acima da inflação. Para investimento, o juro real elevado (Selic 13,75% vs. ganho com aluguel de 5,09%) torna a renda fixa mais atrativa. Em capitais com valorização acima de 20% ao ano, o risco de pagar caro é maior.

Fontes

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