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Fala Imobi

IPCA-15 de outubro sai na sexta (23): a inflação vai pesar no aluguel e travar os juros do financiamento?

A prévia da inflação de outubro chega depois de um setembro de alta. O IPCA de 12 meses já está acima do teto da meta, a Selic caiu para 13,75% e o crédito imobiliário segue acima de 11% ao ano.

Por Kaio Henrique · Publicado em · 5 min de leitura

O IBGE divulga em 23/10/2026 o IPCA-15 de outubro, com preços coletados de 16/09 a 14/10. A referência é setembro: o IPCA-15 subiu 0,70% e o IPCA, 0,82%. Com isso, o acumulado em 12 meses foi a 4,58%, acima do teto da meta. Esse é o ponto de partida dos reajustes de aluguel pelo IPCA.

IPCA acumulado em 12 meses, acima do teto da meta (era 4,22% em agosto)
4,58%
IBGE, setembro de 2026
IPCA de setembro, acima da estimativa da XP (0,75%)
0,82%
IBGE, via InfoMoney, setembro de 2026
IPCA-15 de setembro, após -0,40% em agosto
0,70%
IBGE, 25/09/2026
Meta da Selic, após corte de 0,25 ponto percentual
13,75% a.a.
Banco Central do Brasil, 17/09/2026
Juros médios do financiamento imobiliário para pessoa física
11,28% a.a.
Banco Central do Brasil, agosto de 2026
Divulgação do IPCA-15 de outubro (coleta de 16/09 a 14/10)
23/10/2026
IBGE, calendário 2026

O que é o IPCA-15 e quando sai o de outubro

O IBGE publica na sexta-feira, 23 de outubro, o IPCA-15 de outubro. Os preços foram coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro.

O IPCA-15 é o próprio IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com duas diferenças: a janela de coleta e a abrangência geográfica. Por isso o mercado o trata como prévia da inflação oficial. A cesta reflete o consumo de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

Aluguel de moradia e condomínio fazem parte do índice. São subitens com coleta própria, que inclui domicílios alugados. O detalhamento por subitem mostra, portanto, como andou o custo de morar de aluguel no período.

Setembro deixou a régua alta

O IPCA-15 de setembro, divulgado em 25/09, subiu 0,70%. Em agosto, o índice havia ficado em -0,40%, e em julho, em 0,06%, segundo o IBGE.

O IPCA cheio de setembro veio ainda mais forte: 0,82%. Pelo InfoMoney, o número superou a estimativa da XP Investimentos (0,75%) e a média do mercado.

Com esse resultado, o acumulado em 12 meses passou de 4,22% em agosto para 4,58% em setembro e rompeu o teto da meta. Os núcleos subiram 0,36% e também ficaram acima do previsto. Isso indica que a pressão não veio de um item isolado.

Goiânia a 0,95%, Recife a 0,44%: a inflação muda de cidade para cidade

No IPCA-15 de setembro, Goiânia teve a maior alta (0,95%), seguida de Belo Horizonte (0,79%), Rio de Janeiro (0,77%), Brasília (0,76%) e Porto Alegre (0,75%). São Paulo ficou em 0,73% e Fortaleza em 0,72%.

Na ponta de baixo ficaram Curitiba (0,62%), Belém (0,51%), Salvador (0,50%) e Recife (0,44%). Entre a maior e a menor alta, o índice mais que dobrou.

Para quem atua em uma praça específica, o recorte regional diz mais que a média nacional. A diferença pesa no orçamento das famílias e, portanto, na capacidade de pagar aluguel ou parcela.

IPCA-15 de setembro por cidade

O que observar no dado de sexta

Primeiro ponto: o índice geral contra os 0,70% de setembro. Um número parecido ou maior confirma que a aceleração continuou na virada do mês. Um número menor sugere alívio.

Segundo ponto: a composição. Uma alta concentrada em poucos produtos pesa menos que um avanço espalhado por serviços. Os núcleos mostram qual das duas situações prevalece.

Terceiro ponto: os subitens aluguel de moradia e condomínio, além do resultado da sua cidade. São esses números que o corretor vai ouvir do inquilino e do proprietário nas próximas semanas.

Aluguel: reajuste pelo IPCA já parte de 4,58%

Contratos de locação corrigidos pelo IPCA que usam o acumulado até setembro já partem de 4,58%. Em agosto, a base era 4,22%.

O acumulado oscilou bastante em 12 meses. Foi de 5,17% em setembro de 2025 a 3,81% em fevereiro de 2026. Depois voltou a 4,72% em maio, caiu a 4,22% em agosto e subiu de novo em setembro, segundo o IBGE.

Por isso a data de aniversário do contrato faz diferença no reajuste. O IPCA-15 de outubro antecipa a direção do próximo acumulado, mas não o substitui. O índice que corrige o contrato continua sendo o IPCA cheio.

Selic cai, mas o financiamento não acompanha

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em 17/09/2026, para 13,75% ao ano. Em março de 2026, a taxa estava em 14,75%.

O crédito imobiliário não seguiu o mesmo caminho. A taxa média para pessoa física foi de 11,28% ao ano em agosto, ante 11,30% em julho e 10,49% em agosto de 2025, segundo o Banco Central.

A distância entre linhas também é grande. Em agosto, os juros com taxas de mercado ficaram em 14,24% ao ano. Nas linhas com taxas reguladas, ficaram em 10,91%: uma diferença de 3,33 pontos percentuais.

Análise: inflação em alta estreita o espaço para cortes

Com o IPCA acima do teto da meta e os núcleos acelerando, o Banco Central tem menos espaço para manter o ritmo de cortes. A Exame lembra que o IPCA-15 ajuda a atualizar as expectativas para os juros.

Um IPCA-15 alto reforça a leitura de cautela, e as taxas do crédito imobiliário tendem a demorar mais para ceder. Um dado mais fraco reabre a discussão sobre novos cortes.

O calendário soma outro fator. O debate presidencial do segundo turno também está marcado para o dia 23, e a votação acontece no domingo, 25. Segundo o InfoMoney, as urnas já haviam impulsionado um fechamento da curva de juros.

Quanto a taxa pesa na parcela

Na tabela Price, em 360 meses e à taxa média de agosto (11,28% ao ano), um financiamento de R$ 300 mil tem parcela de R$ 2.797,21. Com R$ 500 mil, a parcela é de R$ 4.662,02, e com R$ 800 mil, de R$ 7.459,24.

Com taxas reguladas (10,91% ao ano), a parcela de R$ 300 mil cai para R$ 2.721,75. Com taxas de mercado (14,24% ao ano), sobe para R$ 3.409,64.

A diferença entre as duas modalidades chega a R$ 687,89 por mês em R$ 300 mil, R$ 1.146,50 em R$ 500 mil e R$ 1.834,39 em R$ 800 mil. Na prática, a modalidade de crédito pesa mais na parcela do que o último corte da Selic.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para quem vende: antes de sexta, revise os contratos de locação com aniversário próximo e avise proprietários e inquilinos que o reajuste pelo IPCA parte de 4,58%. Depois da divulgação, confira os subitens aluguel e condomínio e o resultado da sua cidade. Esses números sustentam a negociação de renovação. No financiamento, não prometa ao comprador uma queda rápida da taxa por causa do corte da Selic. O que reduz a parcela agora é enquadrar a compra em linha com taxa regulada, que fica até R$ 687,89 por mês mais barata em um crédito de R$ 300 mil. Para quem investe: a correção dos aluguéis pelo IPCA acompanha a inflação mais alta, o que protege a receita nominal. Em contrapartida, o custo do crédito segue em 11,28% ao ano na média, e a aceleração dos núcleos reduz a chance de alívio no curto prazo. Use o IPCA-15 de outubro e a reunião seguinte do Copom como pontos de checagem antes de alavancar novas aquisições.

Perguntas frequentes

Quando sai o IPCA-15 de outubro de 2026?

Na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, segundo o calendário do IBGE. A coleta de preços foi de 16/09 a 14/10.

O IPCA-15 corrige o aluguel?

Não diretamente. Contratos atrelados ao IPCA usam o IPCA cheio, que acumulou 4,58% em 12 meses até setembro. O IPCA-15 funciona como prévia da direção da inflação.

Qual foi o IPCA-15 de setembro?

Foi de 0,70%, após -0,40% em agosto. Goiânia teve a maior alta (0,95%) e Recife a menor (0,44%), segundo o IBGE.

Por que o financiamento imobiliário não caiu com a Selic?

A Selic caiu para 13,75% em 17/09, mas a taxa média do crédito imobiliário para pessoa física foi de 11,28% ao ano em agosto, praticamente estável em relação a julho (11,30%). Com a inflação acelerando, inclusive nos núcleos, o espaço para cortes mais rápidos fica menor.

Quanto custa a parcela de um financiamento de R$ 500 mil hoje?

Pela tabela Price, em 360 meses e à taxa média de agosto (11,28% ao ano), a parcela é de R$ 4.662,02. Com taxas de mercado (14,24% ao ano), sobe para R$ 5.682,74. Com taxas reguladas (10,91% ao ano), cai para R$ 4.536,24.

Fontes

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