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Domicílios alugados crescem 45% em 8 anos no Brasil: o que muda para quem investe em 2026

PNAD do IBGE mostra que fatia de lares alugados subiu de 18% para 23% entre 2016 e 2024, enquanto aluguéis acumulam alta de 53,66% em três anos

Por Kaio Henrique · Publicado em · 4 min de leitura

O número de domicílios alugados no Brasil saltou de 12,3 milhões em 2016 para 17,8 milhões em 2024, alta de 45,4%, segundo a PNAD do IBGE. A proporção de imóveis próprios já pagos caiu de 66,8% para 61,6% em 2024. Os aluguéis residenciais subiram 13,5% em 2024 e acumulam 53,66% de valorização em três anos, acima da inflação.

Domicílios alugados em 2024
17,8 milhões
PNAD/IBGE, 2024
Aumento de domicílios alugados desde 2016
45,4%
PNAD/IBGE, 2016-2024
Alta acumulada dos aluguéis em 3 anos
53,66%
Portal Loft, 2022-2024
Fatia de lares alugados no total de moradias em 2024
23%
PNAD/IBGE, 2024

Casa própria perde espaço no Brasil

A Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE mostra que a parcela de lares em imóveis alugados no total de moradias brasileiras subiu de 18% para 23% entre 2016 e 2024. A proporção de domicílios próprios e já pagos caiu de 66,8% para 61,6% em 2024.

O número absoluto de domicílios alugados passou de 12,3 milhões em 2016 para 17,8 milhões em 2024, aumento de 45,4%. O total de domicílios particulares permanentes no país foi estimado em 77,3 milhões em 2024, 15,9% maior que em 2016.

William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, afirma que a redução de 5,2 pontos percentuais em domicílios próprios indica concentração de riqueza. "Se não se criam oportunidades para a população adquirir o seu imóvel, as pessoas precisam partir para o aluguel", diz.

Aluguéis sobem acima da inflação

O preço do aluguel residencial no Brasil subiu 13,5% em 2024, segundo o portal Loft. Em três anos, o acumulado chega a 53,66%, superando a inflação do período em 32,44%. Em 2025, a valorização foi de 9,44%, mantendo a tendência de alta real.

A demanda por aluguel é impulsionada pelos juros elevados, que encarecem o financiamento imobiliário e tornam a compra proibitiva para parte da classe média. O fenômeno não está restrito aos grandes centros, mas se espalha por todas as regiões do país.

Onde estão os inquilinos: Sudeste concentra 43% dos domicílios

A Região Sudeste reúne 33,3 milhões de domicílios, 43,1% do total nacional. Nordeste (26,3%) e Sul (15,1%) vêm em seguida. Centro-Oeste (8,0%) e Norte (7,6%) têm as menores quantidades.

O perfil dos lares também mudou: a proporção de unidades unipessoais (apenas um morador) subiu de 12,2% em 2012 para 18,6% em 2024. Apartamentos cresceram 29,8% entre 2016 e 2024, enquanto casas avançaram 13,8%, indicando demanda por imóveis compactos e bem localizados.

Garantia locatícia: o gargalo do mercado aquecido

Com a demanda em alta, fechar contratos com segurança e agilidade é o principal desafio para imobiliárias. A garantia locatícia define quem assume o risco da inadimplência. Sem ela estruturada, o proprietário fica exposto e a imobiliária enfrenta conflitos sem solução simples.

Segundo o portal Loft, a pressão para fechar contratos em um mercado aquecido pode reduzir o rigor na análise de crédito e amplificar o risco de calote. Processos de aprovação lentos e exigências de fiador excluem inquilinos qualificados.

Decoração para alugar: o que funciona e o que afasta inquilino

Especialistas do mercado, em artigo publicado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), recomendam o "kit locação": armários embutidos na suíte, gabinetes nos banheiros e blindex no box. Paredes devem ser brancas ou em tons neutros, e o piso ideal é o porcelanato.

Móveis e itens caros reduzem a liquidez. "O imóvel mobiliado restringe muito o público porque a maioria já tem seus próprios móveis", afirma Edison Parente, vice-presidente comercial da Renascença Administradora. Itens como TVs e ar-condicionado geram divergências sobre responsabilidade por defeitos.

Para a arquiteta Bianca Da Hora, em apartamentos de até 100 m², armários não agregam valor. Acima dessa metragem, o perfil muda e o investimento pode valer a pena. Papéis de parede, espelhos e cortinas são alternativas para personalizar sem reforma.

Alugar ou comprar: a matemática por trás da decisão

Jaques Cohen, planejador financeiro CFP, explica que pagar aluguel não é "jogar dinheiro fora". A diferença entre a parcela do financiamento e o aluguel, se investida, também gera patrimônio. O que precisa ser comparado é qual patrimônio será maior ao final.

Usando como referência um aluguel equivalente a 0,35% do valor do imóvel ao mês (reduzido a 0,32% após custos de condomínio e manutenção), Cohen compara com títulos públicos que rendem entre 0,20% e 0,30% acima da inflação. "À primeira vista, imóveis podem parecer uma alternativa superior", afirma, mas alerta: imóveis têm mais risco que títulos públicos e precisariam valorizar acima da inflação para compensar.

Negociações específicas mudam a equação: comprar abaixo do mercado ou alugar por menos de 0,25% ao mês pode inverter a vantagem. "Não existe resposta mágica", conclui Cohen. A decisão deve considerar valores pessoais, momento de vida e capacidade de arcar com custos adicionais como decoração e reservas.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para quem vende: o mercado de locação é o principal motor de demanda atual. Corretores devem dominar o cálculo de retorno com aluguel (yield) e orientar investidores sobre o "kit locação" — imóveis neutros, com armários embutidos e blindex, têm maior liquidez. Para quem investe: com aluguéis subindo acima da inflação e juros altos restringindo a compra, a renda de locação tende a se manter atrativa. Mas é essencial comparar o retorno com o de títulos públicos e considerar o risco de vacância e inadimplência. A escolha da garantia locatícia é o que separa um investimento seguro de uma dor de cabeça.

Perguntas frequentes

Vale a pena investir em imóveis para alugar em 2026?

Os dados mostram que a demanda por aluguel está em alta estrutural: 23% dos lares brasileiros são alugados, e os preços subiram 53,66% em três anos. A rentabilidade do aluguel (cerca de 0,32% ao mês sobre o valor do imóvel, já descontados custos) supera o rendimento de títulos públicos no cenário analisado. Mas é preciso considerar o risco maior do ativo imobiliário e a necessidade de valorização acima da inflação para que a compra seja financeiramente vantajosa em relação a aplicações de menor risco.

O que é o "kit locação" e por que ele importa?

É o conjunto de itens que aumentam a liquidez de um imóvel para aluguel: armários embutidos na suíte, gabinetes nos banheiros e blindex no box. Paredes brancas e piso de porcelanato completam o padrão. Móveis e itens caros devem ser evitados, pois restringem o público e geram conflitos sobre manutenção.

Em quais regiões vale mais a pena investir em imóveis para alugar?

O Sudeste concentra 43,1% dos domicílios brasileiros, seguido por Nordeste (26,3%) e Sul (15,1%). A decisão deve considerar não apenas a região, mas o perfil do bairro e a proximidade de transporte e serviços. O crescimento de lares unipessoais (18,6% em 2024) e de apartamentos (29,8% em 8 anos) indica demanda por unidades compactas e bem localizadas.

Fontes

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