Greve da Caixa em setembro atrasa repasses do MCMV: o que muda para seu financiamento
Paralisação de 20 dias reduziu repasses de Tenda, Cury e MRV. Caixa não informa total de operações pendentes, mas atendimento foi retomado em 30 de setembro.
Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura
A greve dos bancários da Caixa, de 10 a 29 de setembro de 2026, travou a etapa de repasse de financiamentos do Minha Casa Minha Vida (MCMV). A MRV deixou de receber cerca de R$ 80 milhões. Os repasses da Tenda caíram 32% no trimestre, e os da Cury, 13%. A Caixa retomou o atendimento presencial em 30 de setembro, mas não divulgou o número de operações pendentes. Para o comprador, a orientação é acompanhar a contratação pelos canais remotos e correspondentes bancários.
- Recebíveis que a MRV deixou de receber da Caixa durante a greve
- cerca de R$ 80 milhões
- Relatório do Itaú BBA, citado pelo portal Portas, 3º trimestre de 2026
- Queda nos repasses da Tenda no 3º trimestre de 2026, na comparação anual
- 32%
- Relatório do Itaú BBA, citado pelo portal Portas, 3º trimestre de 2026
- Queda nos repasses da Cury no 3º trimestre de 2026, na comparação anual
- 13%
- Relatório do BTG Pactual, citado pelo portal Portas, 3º trimestre de 2026
O que a greve parou no financiamento
A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, entre 10 e 29 de setembro, interrompeu a etapa de repasse dos financiamentos imobiliários. O repasse é o momento em que o banco transfere o valor do financiamento para a incorporadora, concluindo a venda.
Segundo a Caixa, as contratações de crédito imobiliário seguiram disponíveis durante a greve por canais remotos e correspondentes bancários. Mas o fechamento de agências e centrais de crédito paralisou a transferência de recebíveis.
A instituição afirmou que adotou medidas de contingência e avaliou casos específicos, mas não informou o total de operações que ficaram pendentes ou atrasadas no período.
Tenda, Cury e MRV: o tamanho do impacto
Relatórios do Itaú BBA e do BTG Pactual mostram que a greve reduziu os repasses das incorporadoras. A MRV deixou de receber cerca de R$ 80 milhões da Caixa no terceiro trimestre de 2026, valor que os analistas classificam como impacto direto da paralisação.
A Tenda repassou R$ 765 milhões a bancos no trimestre, queda de 32% sobre o mesmo período de 2025. Em setembro, os repasses caíram 51% em relação a agosto. Os cancelamentos de contratos na marca Tenda somaram R$ 293 milhões, alta de 115% em 12 meses.
A Cury transferiu R$ 1,3 bilhão à Caixa, 13% a menos que um ano antes e 36% abaixo do trimestre anterior. Os distratos chegaram a R$ 358 milhões, aumento de 60% na comparação anual. A empresa manteve vendas brutas em alta de 17% e gerou fluxo de caixa livre de R$ 254 milhões.
A MRV mudou a contabilidade das vendas do MCMV no trimestre. Antes, registrava a venda após o financiamento ir para o banco. Agora, contabiliza na assinatura do contrato, como já fazem as concorrentes, o que dificulta a comparação com trimestres anteriores.
Etapas do financiamento até o repasse
O caminho do financiamento até o repasse tem várias etapas: análise de crédito, conferência de documentos, vistoria de engenharia e assinatura do contrato. Só depois disso o banco transfere o valor para a incorporadora.
Um processo sem pendências relevantes costuma levar até 20 dias entre o encaminhamento e a assinatura do contrato, segundo Clausens Duarte, vice-presidente de Habitação de Interesse Social da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). O prazo não é uma média oficial da Caixa e varia conforme cada caso.
Dados da XP Investimentos, anteriores à greve, indicavam mediana de 165,5 dias para recebimento dos repasses no segundo trimestre de 2026. Os indicadores dos próximos trimestres devem mostrar o efeito dos atrasos sobre esses prazos.
A greve acabou. E agora?
A Caixa retomou o atendimento presencial em 30 de setembro. As instituições preveem volta gradual das liberações de crédito e queda nas taxas de cancelamento.
O BTG avalia que os impactos da greve foram atrasos operacionais, não perdas definitivas de vendas ou receitas. Mas o cenário de crédito segue mais restritivo, com regras mais duras da Caixa para aprovação de financiamentos, o que pressiona os cancelamentos.
O que muda para quem vende e para quem investe
Para quem vende: explique ao cliente que a greve atrasou a etapa de repasse, mas as contratações seguiram ativas por canais remotos e correspondentes bancários. Acompanhe o andamento do processo pelo App Habitação CAIXA ou pelo WhatsApp 0800 104 0104. O prazo de referência para assinatura sem pendências é de até 20 dias, mas pode ser maior. Para quem investe: os resultados do terceiro trimestre de 2026 de Tenda, Cury e MRV já refletem o represamento de repasses e a alta de cancelamentos. A normalização depende da velocidade de processamento do estoque represado. O fluxo de caixa das incorporadoras mais dependentes do MCMV segue como ponto de atenção.
Perguntas frequentes
A greve da Caixa vai atrasar a liberação do meu financiamento do Minha Casa Minha Vida?
Sim, a greve de 10 a 29 de setembro atrasou a etapa de repasse de contratos. A Caixa não informou o total de operações pendentes, mas o atendimento presencial foi retomado em 30 de setembro. O prazo de referência para assinatura de contrato sem pendências é de até 20 dias, mas pode variar.
O que fazer enquanto o financiamento não sai?
Acompanhe o andamento pelos canais oficiais da Caixa: App Habitação CAIXA, WhatsApp 0800 104 0104, Alô CAIXA (4004 0104 ou 0800 104 0104) ou correspondentes bancários. As contratações continuaram disponíveis por esses canais durante a greve. Evite atrasar pagamentos: multas e juros podem ser aplicados, e o contrato pode ir para cadastros restritivos.
Fontes
- Caixa – Minha Casa Minha Vida
- Portas: Greve da Caixa: saiba como incorporadoras Tenda, Cury e MRV foram afetadas
- O Tempo: Greve dos bancários da Caixa atrasa repasses do MCMV e afeta incorporadoras
- Caixa: Perguntas frequentes sobre financiamento habitacional
- Caixa: Perguntas frequentes para quem possui um contrato imobiliário
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