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MCMV até o fim de 2026: o que Caixa e governo disseram à CBIC sobre recursos e contratações do FAR

Em reunião em 15 de outubro, a Caixa citou 146 mil unidades e R$ 23 bilhões adicionais vinculados ao FAR. O governo manteve o teto de valor do fundo. Cláusulas suspensivas, reequilíbrio de obras e o orçamento de 2027 seguem sem resposta fechada.

Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura

Em reunião com a CBIC em Brasília, em 15/10/2026, a Caixa apresentou 146 mil unidades e R$ 23 bilhões em recursos adicionais vinculados ao FAR (dados de 2024 a 2026). O banco também afirmou que a queda dos desembolsos em agosto e setembro não preocupa porque "os recursos existem". O governo informou que o teto de valor do FAR não muda agora.

unidades citadas pela Caixa no contexto dos recursos adicionais vinculados ao FAR (dados de 2024 a 2026)
146 mil
Caixa, em apresentação na reunião da CHIS/CBIC, 15/10/2026
recursos adicionais vinculados ao FAR (dados de 2024 a 2026)
R$ 23 bilhões
Caixa, em apresentação na reunião da CHIS/CBIC, 15/10/2026
acréscimo ao orçamento do apoio à produção para operações com pessoas jurídicas
R$ 5 bilhões
CHIS/CBIC, 15/10/2026
limite mantido para operações com pessoas físicas
R$ 60 bilhões
CHIS/CBIC, 15/10/2026

Quem estava na mesa e o que entrou na pauta

A Comissão de Habitação de Interesse Social (CHIS) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reuniu-se em Brasília na quinta-feira, 15 de outubro de 2026. Participaram representantes do setor, do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal.

Na tarde, a pauta foi o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Entraram em discussão as cláusulas suspensivas para novas contratações pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), os pedidos de reequilíbrio financeiro de obras em andamento, os limites de valor dos empreendimentos e os recursos para 2027.

Caixa citou 146 mil unidades e R$ 23 bilhões adicionais no FAR

Aline Rocha, representante da Caixa, apresentou os números dos recursos habitacionais. Ela citou 146 mil unidades e R$ 23 bilhões em recursos adicionais vinculados ao FAR, com base em dados de 2024 a 2026.

Esse é o pano de fundo da conversa sobre contratações. O volume se refere ao período inteiro. O relato da reunião não detalha quanto já foi contratado nem quanto falta liberar até dezembro.

Desembolsos caíram em agosto e setembro, e a Caixa diz que não há alerta

A própria Caixa reconheceu a redução dos desembolsos em agosto e setembro. Segundo Aline Rocha, o recurso disponível não indica motivo de preocupação.

"Mas não tem nada assim que traga algum cenário de preocupação, porque os recursos existem, estão lá", disse. Ela não apontou, no relato da reunião, uma causa para a queda nem um prazo para a normalização.

R$ 5 bilhões a mais para pessoa jurídica, limite para pessoa física sem mudança

Luis Fernando Mendes, economista e assessor técnico da CHIS, informou que o orçamento do apoio à produção para operações com pessoas jurídicas ganhou R$ 5 bilhões.

O limite de R$ 60 bilhões para operações com pessoas físicas foi mantido. Na leitura do Fala Imobi, o reforço foi para o lado da produção, e a frente de pessoa física ficou estável, sem corte e sem ampliação.

O que já está definido: teto do FAR parado e seleção só com recurso previsto

O secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, foi direto sobre os limites de valor: "Então, sobre teto agora, a gente não vai mexer com teto de valor", declarou. A prioridade, segundo ele, é contratar os projetos viáveis e avaliar ajustes em um próximo ciclo.

Rabelo também disse que as seleções devem estar vinculadas à previsão de recursos. "A gente não faz a descoberto", afirmou. Na prática, só entra na fila de contratação o que já tem dinheiro previsto.

O que segue em aberto: cláusulas suspensivas, reequilíbrio de obras e 2027

Raul de Oliveira Gomes, superintendente nacional da Caixa, disse que os ajustes nas cláusulas suspensivas buscam acelerar os processos sem afrouxar as garantias. "A gente não abre mão de nenhum tipo de exigência, nenhum tipo de segurança na contratação", afirmou. O relato da reunião não detalha o texto das novas regras nem a data em que passam a valer.

Os pedidos de reequilíbrio financeiro de obras em andamento e a disponibilidade de recursos para 2027 também foram discutidos. A reunião, porém, não registrou decisão sobre nenhum dos dois temas. São esses os pontos que ainda definem o ritmo de lançamentos e entregas daqui para frente.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para quem vende: até onde a reunião mostrou, o recurso existe e o teto de valor do FAR fica onde está. Não espere reajuste de teto para destravar negócio neste ciclo. Trabalhe com os produtos que já se enquadram nos limites atuais. Ao cliente, a mensagem sustentada pelos fatos é esta: a Caixa diz que há dinheiro e que a queda de desembolsos em agosto e setembro não preocupa, mas a contratação só sai para projeto selecionado com recurso previsto. Antes de prometer prazo de assinatura, confirme com a construtora se o empreendimento já foi selecionado e se tem pendência de cláusula suspensiva. Para quem investe: o reforço de R$ 5 bilhões no apoio à produção para pessoa jurídica e o limite de R$ 60 bilhões mantido para pessoa física indicam volume preservado, sem expansão do lado do comprador. Os riscos que ficam no radar são os pedidos de reequilíbrio de obras ainda sem resposta, que pesam sobre a margem e o cronograma das construtoras, e a falta de definição dos recursos para 2027, que afeta lançamentos com contratação prevista para o ano que vem.

Perguntas frequentes

Vai ter recurso do MCMV até o fim de 2026?

A Caixa afirmou na reunião de 15/10/2026 que "os recursos existem" e que a queda de desembolsos em agosto e setembro não é motivo de preocupação. O relato da reunião não informa quanto será contratado até dezembro. O governo disse que as seleções ficam vinculadas à previsão de recursos.

O teto de valor do FAR vai subir?

Não agora. O secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, disse que o teto não será alterado neste momento e que eventuais ajustes serão avaliados em um próximo ciclo.

O que mudou nos números do programa?

A Caixa citou 146 mil unidades e R$ 23 bilhões adicionais vinculados ao FAR (dados de 2024 a 2026). A CHIS/CBIC informou um acréscimo de R$ 5 bilhões no apoio à produção para pessoas jurídicas e a manutenção do limite de R$ 60 bilhões para pessoas físicas.

Já há definição sobre recursos para 2027 e sobre o reequilíbrio de obras?

Não. Os dois temas estavam na pauta, mas a reunião não registrou decisão sobre eles.

Fontes

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    15/10/2026