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PIB da construção abaixo de 1% em 2026: vai faltar imóvel novo e o preço vai subir em 2027?

SindusCon-SP e FGV Ibre projetam alta entre 0,5% e 1%. Com custo de obra subindo acima da inflação e crédito da poupança encolhendo, a pressão recai sobre o imóvel de renda média.

Por Kaio Henrique · Publicado em · 4 min de leitura

O PIB da construção deve crescer entre 0,5% e 1% em 2026, segundo projeção apresentada na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP em 14 de outubro de 2026. O custo da obra sobe mais rápido que a inflação: segundo o FGV Ibre, os custos do setor superam 7% em 12 meses, contra IPCA de 4,58% até setembro (IBGE). O crédito da poupança perde fôlego. A combinação aponta para menos lançamentos e pressão de preço no imóvel novo de renda média em 2027.

Projeção de crescimento do PIB da construção em 2026
0,5% a 1%
SindusCon-SP / FGV Ibre, 14/10/2026
Custos do setor da construção, acumulado em 12 meses
acima de 7%
FGV Ibre (Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP), 14/10/2026
IPCA acumulado em 12 meses
4,58%
IBGE, setembro de 2026
Juros médios do financiamento imobiliário para pessoa física
11,28% a.a.
Banco Central do Brasil, agosto de 2026
Meta da taxa Selic
13,75% a.a.
Banco Central do Brasil, desde 17/09/2026

O que o SindusCon-SP projetou para 2026

O PIB da construção deve fechar 2026 acima dos 0,5% de 2025, mas abaixo de 1%. A previsão saiu da Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP em 14 de outubro, com base na apresentação de Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O segmento formal das construtoras puxa o resultado. No primeiro semestre, o PIB da construção subiu 1,1% no país e caiu 0,4% no Estado de São Paulo, segundo o FGV Ibre.

O emprego formal na construção cresceu 3% no país nos oito primeiros meses de 2026, frente ao mesmo período de 2025. No Estado de São Paulo, a alta foi de 2,4%. Na capital paulista, de 3,3%.

Custo de obra sobe acima da inflação

Na Reunião de Conjuntura, o FGV Ibre informou que os custos do setor superam 7% no acumulado de 12 meses.

O número fica bem acima do IPCA, que fechou setembro de 2026 em 4,58% em 12 meses, segundo o IBGE. O boletim Focus de 13 de outubro projeta IPCA de 5,22% em 2026 e de 4,30% em 2027.

Análise: quando o custo da obra sobe mais que a inflação geral, a margem do incorporador encolhe. A falta de mão de obra, apontada pelo FGV Ibre como principal limitação das empresas, reforça a pressão sobre o custo.

Crédito da poupança perde fôlego

Ana Castelo alertou para problemas futuros no crédito imobiliário com recursos da poupança para a faixa de renda fora do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Os recursos da poupança têm caído, e os financiamentos com recursos livres também recuam.

Segundo a economista, a nova regulamentação pode direcionar os financiamentos para imóveis acima de R$ 1 milhão. Isso não alivia a renda média fora do MCMV.

O custo do crédito já subiu. A taxa média do financiamento imobiliário para pessoa física foi de 11,28% a.a. em agosto de 2026, contra 10,49% a.a. em agosto de 2025, segundo o Banco Central.

Quanto pesa a diferença entre crédito regulado e de mercado

Em um financiamento de R$ 500 mil pela tabela Price em 360 meses, a parcela fica em R$ 4.536,24 com a taxa regulada média de agosto (10,91% a.a.). Com a taxa de mercado (14,24% a.a.), sobe para R$ 5.682,74, segundo simulação com base nas taxas do Banco Central.

A diferença é de R$ 1.146,50 por mês. Para R$ 300 mil, a diferença é de R$ 687,89. Para R$ 800 mil, de R$ 1.834,39.

Análise: se o crédito regulado, abastecido pela poupança, ficar mais escasso, o comprador de renda média tende a migrar para a taxa de mercado. Nesse caso, a parcela pode subir mais de 20%.

Menos lançamentos e reajuste de preço em 2027

Dirigentes do SindusCon-SP descreveram um cenário de oferta mais curta. Eduardo Zaidan, presidente executivo da entidade, disse que a recuperação da renda deve ser lenta e que haverá queda nos lançamentos e um ajuste longo na economia e nos preços.

Renato Genioli, vice-presidente Financeiro, afirmou que os imóveis de renda média estão baratos, mas o consumidor não consegue comprá-los por causa dos juros. Para ele, o reajuste de preços será inevitável para o setor seguir comprando terrenos, vendendo e construindo.

No MCMV, Rodrigo von Uhlendorff, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, disse que os lançamentos aceleram enquanto as vendas desaceleram. Segundo ele, empresas sem caixa podem lançar menos.

A resposta: falta de imóvel novo e preço mais alto, mas com freio na demanda

Análise: os dados apontam para menos oferta nova na renda média em 2027. Os fatores são o custo subindo acima da inflação, o funding da poupança encolhendo e as construtoras sinalizando menos lançamentos.

O preço do imóvel novo tende a subir para recompor margem, como defendem os próprios dirigentes do setor. O limite é a capacidade de pagamento: com Selic de 13,75% a.a. e juros do financiamento em 11,28% a.a., o comprador de renda média segue apertado.

Um eventual alívio depende dos juros. O Focus de 13 de outubro prevê mais um corte de 0,25 ponto na Selic até o fim do ano. Ana Castelo avaliou que, se os juros caírem no médio prazo, a situação do setor tende a melhorar, porque a demanda por habitação seguirá elevada.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para quem vende: o estoque pronto e o lançamento já precificado de renda média tendem a ficar mais caros em 2027, porque construtoras falam em reajuste e em menos lançamentos. Use esse argumento com o cliente que está decidido, mas sempre com a simulação na mão. Compare a parcela na taxa regulada e na de mercado: em R$ 500 mil, a diferença é de R$ 1.146,50 por mês. Antes de prometer prazo, confirme com o banco se ainda há crédito com recursos da poupança disponível para o perfil do cliente. Para quem investe: custo de obra acima de 7% em 12 meses (FGV Ibre), contra IPCA de 4,58%, comprime a margem de quem incorpora e favorece quem já tem unidade contratada ou pronta. Na renda média fora do MCMV, a oferta mais curta pode sustentar preço e aluguel. A liquidez na revenda, porém, depende de crédito e juros, e ambos seguem restritivos. No MCMV, monitore a velocidade de vendas: lançamento acelerando com venda desacelerando é sinal de estoque crescente.

Perguntas frequentes

Quanto o PIB da construção deve crescer em 2026?

Entre 0,5% e 1%, segundo a projeção do FGV Ibre apresentada na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP em 14 de outubro de 2026. Em 2025, o crescimento foi de 0,5%.

O custo da construção está subindo mais que a inflação?

Sim. O FGV Ibre aponta custos do setor acima de 7% em 12 meses. O IPCA foi de 4,58% em 12 meses até setembro de 2026 (IBGE).

Por que o crédito para renda média preocupa o setor?

Os recursos da poupança têm caído, e os financiamentos com recursos livres também recuam. Segundo Ana Castelo, do FGV Ibre, a nova regulamentação pode concentrar crédito em imóveis acima de R$ 1 milhão.

O preço do imóvel novo vai subir em 2027?

Dirigentes do SindusCon-SP preveem queda nos lançamentos e consideram o reajuste de preços inevitável na renda média. A alta efetiva vai depender da capacidade de compra, ainda limitada por juros de 11,28% a.a. no financiamento (Banco Central, agosto de 2026).

Fontes

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