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Vendas de imóveis novos em SP sobem 10,7% em julho, mas lançamentos caem 33,5%

Zona Leste puxa vendas e lançamentos; estoque chega a 90 mil unidades, ante 63,7 mil em julho de 2025

Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura

A cidade de São Paulo vendeu 10.301 imóveis residenciais novos em julho, alta de 10,7% sobre junho, segundo o Secovi-SP. Os lançamentos recuaram 33,5% no mês, para 8.354 unidades. O estoque disponível atingiu 90 mil unidades, ante 63,7 mil em julho de 2025.

unidades vendidas em julho
10.301
Secovi-SP, julho de 2026
unidades lançadas em julho
8.354
Secovi-SP, julho de 2026
unidades em oferta
90 mil
Secovi-SP, julho de 2026
juros médios do financiamento imobiliário
11,28% a.a.
Banco Central, agosto de 2026

Vendas aceleram, lançamentos pisam no freio

As vendas de imóveis residenciais novos na capital paulista cresceram 10,7% em julho sobre junho, totalizando 10.301 unidades. Na comparação com julho de 2025, o salto foi de 67,4%. Em 12 meses, o acumulado é de 118,1 mil unidades, 6% acima dos 12 meses anteriores.

Os lançamentos, porém, caíram 33,5% no mês, para 8.354 unidades. Frente a julho de 2025, houve alta de 45,9%. No acumulado de 12 meses, foram 146,3 mil lançamentos, 18% a mais que no mesmo período anterior.

O VGV (Valor Global de Vendas) somou R$ 4,5 bilhões em julho, alta de 6% sobre junho e de 11% sobre julho de 2025. Em 12 meses, o VGV acumula R$ 60,9 bilhões, queda de 2%.

Estoque em alta e VSO mostra o ritmo do mercado

O estoque — imóveis lançados nos últimos 36 meses — encerrou julho com 90 mil unidades. Em julho de 2025, eram 63,7 mil unidades.

O VSO (Vendas Sobre Oferta) ficou em 10,2% no mês, alta de 10,9% sobre junho e de 15,9% sobre julho de 2025. No acumulado de 12 meses, o VSO é de 56,3%, 5% acima do acumulado até junho, mas 10% abaixo do registrado até julho de 2025.

O VGO (Valor Global da Oferta) atingiu R$ 66,8 bilhões, com os preços atualizados pelo INCC-DI de julho de 2026.

Zona Leste lidera vendas e lançamentos; Centro tem o maior VSO

A zona Leste concentrou 35% das vendas da cidade (3.570 unidades) e 42% dos lançamentos (3.522 unidades). A zona Sul detém a maior oferta: 34% do total, com 30.476 unidades disponíveis.

O maior VSO do mês foi registrado no Centro: 14,5%. A zona Oeste liderou o VGO, com 39% do valor global da oferta (R$ 25,9 bilhões).

Dois dormitórios e Minha Casa Minha Vida dominam

Imóveis de dois dormitórios responderam por 71% das vendas (7.355 unidades) e 64% dos lançamentos. O VSO dessa tipologia foi de 12,6%.

Unidades entre 30 m² e 45 m² representaram 67% das vendas e 61% dos lançamentos. O VSO chegou a 12,8% nessa faixa.

O programa Minha Casa Minha Vida (faixas 1, 2 e 3) respondeu por 76% das vendas (7.861 unidades) e 83% dos lançamentos (6.960 unidades). O VSO do programa foi de 13%, contra 6% dos demais mercados.

Juros e inflação: o custo de decidir

A taxa média de juros do financiamento imobiliário para pessoa física estava em 11,28% a.a. em agosto de 2026, segundo o Banco Central. Em setembro, a Selic foi reduzida para 13,75% a.a.

O IPCA acumulado em 12 meses até setembro de 2026 é de 4,58%. Em julho, mês de referência da pesquisa, o índice estava em 4,44%.

Uma simulação de financiamento de R$ 500 mil em 360 meses pela tabela Price, com a taxa média de 11,28% a.a., resulta em parcela de R$ 4.662,02. Com taxas de mercado (14,24% a.a.), a parcela sobe para R$ 5.682,74; com taxas reguladas (10,91% a.a.), cai para R$ 4.536,24.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para o corretor, o momento exige leitura por zona e faixa de preço. Na Leste, onde lançamentos e vendas estão concentrados, há oportunidade de giro rápido, mas é preciso atenção ao estoque crescente. Na Sul, a oferta farta pressiona a negociação. No Centro, o VSO alto indica demanda aquecida. Para o investidor, o estoque de 90 mil unidades e o VSO de 10,2% no mês sugerem absorção lenta, o que pode alongar o prazo de retorno. Com juros médios de 11,28% a.a. e IPCA de 4,58% em 12 meses, o financiamento ainda pesa na decisão do comprador. A diferença de R$ 1.146,50 na parcela de R$ 500 mil entre taxas de mercado e reguladas mostra que buscar condições especiais pode ser decisivo para fechar negócio.

Perguntas frequentes

As vendas de imóveis novos em São Paulo estão aquecidas?

Sim. Em julho de 2026, foram vendidas 10.301 unidades, alta de 10,7% sobre junho e de 67,4% sobre julho de 2025. No acumulado de 12 meses, o crescimento é de 6%.

Por que os lançamentos caíram se as vendas subiram?

Os lançamentos recuaram 33,5% em julho, para 8.354 unidades, mesmo com vendas em alta. O estoque disponível cresceu para 90 mil unidades, o que pode ter levado incorporadoras a segurar novos projetos.

Qual zona de São Paulo está vendendo mais?

A zona Leste liderou em vendas (35% do total) e lançamentos (42%). O Centro teve o maior VSO (14,5%), indicando maior velocidade de venda em relação à oferta.

Com juros de 11,28% a.a., vale a pena comprar agora?

Depende do acesso a linhas de crédito. A parcela de um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos fica em R$ 4.662,02 pela taxa média. Com taxas reguladas (10,91% a.a.), cai para R$ 4.536,24. A diferença de R$ 1.146,50 em relação às taxas de mercado mostra que negociar condições pode fazer diferença.

Fontes

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