Baixada Santista lidera preço de apartamento novo fora da Grande SP
Preço médio na região é de R$ 1,08 milhão, 70% acima da média das demais regiões do estado; m² chega a R$ 12.560
Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura
A Baixada Santista registrou o maior preço médio de apartamentos novos fora da Região Metropolitana de São Paulo no primeiro trimestre de 2026: R$ 1,081 milhão, segundo levantamento da Brain Inteligência Imobiliária para o Secovi-SP. O valor é 70% superior à média das demais regiões (R$ 637.297). O metro quadrado na região chegou a R$ 12.560, contra R$ 9.875 da média estadual. Enquanto isso, a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida lançou 266 unidades na região no primeiro semestre, com m² médio de R$ 9 mil e teto de R$ 600 mil.
- Preço médio do apartamento novo na Baixada Santista
- R$ 1.081.000
- Brain Inteligência Imobiliária/Secovi-SP, 1º trimestre de 2026
- Preço médio nas demais regiões do estado (excluindo RMSP)
- R$ 637.297
- Brain/Secovi-SP, 1º trimestre de 2026
- Preço médio do m² na Baixada Santista
- R$ 12.560
- Brain/Secovi-SP, 1º trimestre de 2026
- Preço médio do m² no estado de São Paulo
- R$ 9.875
- Brain/Secovi-SP, 1º trimestre de 2026
- Unidades lançadas na Faixa 4 do MCMV na Baixada Santista
- 266 unidades
- Brain/A Tribuna, 1º semestre de 2026
- Preço médio do m² na Faixa 4 na Baixada Santista
- R$ 9.000
- Brain/A Tribuna, 1º semestre de 2026
- Juros médios do financiamento imobiliário
- 11,28% a.a.
- Banco Central, agosto de 2026
Santos, Praia Grande e Bertioga puxam a média para cima
O preço médio de R$ 1,081 milhão na Baixada Santista é influenciado principalmente por Santos, Praia Grande e pela Riviera de São Lourenço, em Bertioga. Carlos Meschini, diretor regional do Secovi-SP, afirma que essas cidades apresentam produtos com valores relevantes e ajudam a compor a média regional.
A pesquisa considerou lançamentos em Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Bertioga, com base nas tabelas de preços praticadas pelas incorporadoras no primeiro trimestre de 2026.
Metro quadrado 27% acima da média estadual
O preço do metro quadrado novo na Baixada Santista atingiu R$ 12.560, valor 27,2% superior à média do estado (R$ 9.875). A diferença reflete fatores como escassez de terrenos, custo de construção, características do solo e a proximidade com o mar, segundo o Secovi-SP.
Santos, a cidade mais verticalizada do Brasil, tem peso significativo nesse indicador. A falta de áreas disponíveis nos bairros tradicionais empurra os lançamentos para regiões como o Centro Histórico, Macuco, Estuário e Vila Nova, onde megaprojetos com mais de mil apartamentos estão sendo anunciados.
Faixa 4 do MCMV: 266 unidades com m² de R$ 9 mil
No primeiro semestre de 2026, a Baixada Santista recebeu 266 unidades enquadradas na Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, todas em Guarujá (108) e Praia Grande (158). A maioria (255 unidades) tem dois dormitórios e metragem de até 50 m², com preço médio de R$ 9 mil por metro quadrado.
A Faixa 4 atende famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e financia imóveis de até R$ 600 mil, com prazo de 420 meses. Sem subsídio direto, a aquisição depende integralmente da capacidade de financiamento do comprador. Com juros médios de 11,28% ao ano (agosto de 2026), a parcela para um financiamento de R$ 500 mil em 360 meses ficaria em R$ 4.662,02, segundo simulação com dados do Banco Central.
O m² de R$ 9 mil na Faixa 4 é 28% menor que a média geral da região (R$ 12.560), o que torna esses imóveis uma porta de entrada para a classe média no litoral, mas a ausência de subsídio e o endividamento elevado ainda travam a demanda, avalia Gonçalves, consultor da Brain.
O que explica os preços elevados
Além da escassez de terrenos, o padrão construtivo e os equipamentos de lazer dos novos empreendimentos pressionam os valores. Meschini destaca a tendência de condomínios-clube, com áreas comuns amplas e apartamentos compactos, voltados para o público de 25 a 35 anos que busca praticidade.
A hiperverticalização, porém, traz desafios de infraestrutura. Santos, sendo uma ilha, enfrenta limitações de ventilação, esgoto e logística, o que exige planejamento público constante, alerta o diretor do Secovi-SP.
O que muda para quem vende e para quem investe
Para corretores: o ticket médio elevado exige qualificação rigorosa do cliente, especialmente na comprovação de renda para financiamentos acima de R$ 1 milhão. A Faixa 4 do MCMV, com m² médio de R$ 9 mil, é a principal vitrine para a classe média, mas a parcela de R$ 4.662 para um imóvel de R$ 500 mil (com juros de 11,28% a.a.) ainda pesa no orçamento familiar. Destaque a proximidade com a capital e a infraestrutura de serviços como argumentos de venda. Para investidores: o m² de R$ 12.560 na Baixada Santista está 27% acima da média estadual, indicando valorização consistente, mas a entrada requer capital elevado. A Faixa 4, com m² 28% menor, pode oferecer maior giro de locação para o público de renda média, desde que a taxa de juros não suba ainda mais. Acompanhe a Selic (13,75% em setembro/2026) e o IPCA (4,22% em 12 meses), que influenciam diretamente o custo do crédito.
Perguntas frequentes
Qual é a cidade mais cara da Baixada Santista?
O levantamento não aponta uma cidade mais cara; Santos tem participação importante no resultado, mas Praia Grande e a Riviera de São Lourenço, em Bertioga, também têm produtos de alto padrão que elevam a média regional.
Vale a pena investir na Faixa 4 do MCMV na região?
Com m² de R$ 9 mil e teto de R$ 600 mil, a Faixa 4 é uma alternativa mais acessível, mas a falta de subsídio e os juros atuais exigem entrada significativa. A demanda existe, mas a classe média está cautelosa, segundo especialistas.
Quanto custa financiar um imóvel de R$ 500 mil na Baixada Santista?
Com a taxa média de juros de 11,28% ao ano e prazo de 360 meses, a parcela fica em R$ 4.662,02. Se o prazo for estendido para 420 meses (como permite o MCMV), o valor pode ser um pouco menor.
Fontes
- Mercado imobiliário da Baixada Santista lidera expansão no Estado e Secovi-SP alerta para os desafios da hiperverticalização
- Baixada Santista lidera preço médio de apartamentos novos fora da Grande São Paulo
- Minha Casa, Minha Vida para classe média registra 266 imóveis na Baixada
- Juros médios do financiamento imobiliário - Banco Central
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario
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