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Interior de SP: onde o mercado imobiliário ainda resiste em 2026?

Vendas verticais no interior caem só 3% no semestre, apoiadas pelo FGTS, enquanto juros altos sufocam a classe média

Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura

No primeiro semestre de 2026, as vendas de unidades verticais no interior paulista caíram apenas 3% em relação ao ano anterior, enquanto os lançamentos recuaram 12%, segundo pesquisa do Secovi-SP e SindusCon-SP. O mercado é sustentado pelo FGTS, que não depende da Selic, mas a classe média sofre com juros altos e endividamento.

Queda nas vendas de unidades verticais no interior no 1º semestre de 2026
-3%
Secovi-SP / SindusCon-SP, 1º semestre de 2026
Valor Geral de Vendas (VGV) no interior no semestre
R$ 20 bilhões
Secovi-SP / SindusCon-SP, 1º semestre de 2026
Taxa Selic em setembro de 2026
13,75% a.a.
Banco Central do Brasil, 17/09/2026
Diferença na parcela mensal entre taxa regulada e de mercado para imóvel de R$ 500 mil
R$ 1.146,50
Simulação Fala Imobi com dados do Banco Central (agosto/2026), agosto/2026

Mercado do interior perde fôlego, mas vendas caem menos que lançamentos

As 42 cidades do interior paulista e da Baixada Santista pesquisadas pelo Secovi-SP e SindusCon-SP registraram queda de 15% nos lançamentos e nas vendas de unidades verticais no segundo trimestre de 2026, na comparação anual. No acumulado do semestre, os lançamentos verticais recuaram 12%, enquanto as vendas caíram apenas 3%, sinal de que a demanda ainda está presente.

O Valor Geral de Vendas (VGV) do semestre chegou a R$ 20 bilhões, com o Valor Geral de Lançamentos (VGL) estável entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. "Tenho a impressão de que há muito produto aprovado, pronto para ser lançado, e que as incorporadoras estão esperando", avaliou Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP.

FGTS blinda baixa renda; classe média sente o crédito caro

O cenário de juros altos — a Selic está em 13,75% ao ano desde setembro de 2026 — afeta de forma desigual o mercado. Segundo Petrucci, o segmento financiado com recursos do FGTS "vai muito bem, obrigado", porque a taxa independe da Selic. Já os produtos voltados à classe média sofrem com o endividamento e a falta de acesso ao crédito.

A taxa média de juros do financiamento imobiliário para pessoa física ficou em 11,28% ao ano em agosto, mas as linhas de mercado chegam a 14,24% ao ano, enquanto as reguladas (como as do FGTS) operam a 10,91% ao ano.

Minha Casa Minha Vida encolhe nos prédios e dispara nas casas

No mercado vertical, o Minha Casa Minha Vida perdeu participação: caiu de 56% para 49% das unidades lançadas e de 30% para 27% do VGL. Enquanto isso, os demais padrões cresceram. O tíquete médio vertical ficou em R$ 637 mil, contra R$ 289 mil do programa habitacional.

Já no horizontal, o movimento foi inverso. Os lançamentos de casas cresceram 44% no semestre, puxados pelas unidades econômicas, que mais que dobraram: 4.823 unidades contra 2.115 no ano anterior. "Se os demais padrões não tivessem caído, a alta teria sido muito mais intensa", explicou Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain.

O estoque de imóveis horizontais é "ultrajovem": 90% das 5.939 unidades disponíveis em junho foram lançadas nos últimos 30 meses.

Simulação: o peso da taxa de juros na parcela do financiamento

Para quem vai financiar um imóvel no interior, a escolha da linha de crédito faz diferença. Simulações do Fala Imobi com a tabela Price em 360 meses mostram que, para um financiamento de R$ 500 mil, a parcela com taxa regulada (10,91% a.a.) é de R$ 4.536,24. Com taxa de mercado (14,24% a.a.), sobe para R$ 5.682,74 — uma diferença de R$ 1.146,50 por mês.

Para R$ 300 mil, a parcela regulada é de R$ 2.721,75, contra R$ 3.409,64 na de mercado. Já para R$ 800 mil, os valores são R$ 7.257,99 e R$ 9.092,38, respectivamente.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para o corretor: na ponta da venda, o cliente de baixa renda está mais protegido pelo FGTS. Mostre simulações com taxa regulada e destaque que a parcela cabe no orçamento. Para o cliente de classe média, a taxa de mercado está pesada; avalie se ele consegue se enquadrar em linhas reguladas ou se é melhor esperar uma eventual queda da Selic. Para o investidor: o interior mostra resiliência, especialmente no segmento horizontal do Minha Casa Minha Vida, que tem demanda forte e estoque jovem. Mas fique atento: os preços de imóveis novos e usados sobem cerca de 12% ao ano (IGMI-R) e há um limite para repassar custos aos preços. O equilíbrio depende de a renda das famílias continuar crescendo.

Perguntas frequentes

O interior está resistindo?

Os dados do Secovi-SP mostram que as vendas de unidades verticais no interior caíram apenas 3% no semestre, com lançamentos recuando 12%. A pesquisa não detalha a capital.

Qual linha de financiamento escolher hoje?

Sempre que possível, opte pelas linhas com taxa regulada (FGTS), que têm juro menor e não dependem da Selic. A diferença na parcela pode passar de R$ 1.100 para um imóvel de R$ 500 mil.

Vale investir em casas do Minha Casa Minha Vida no interior?

Os lançamentos horizontais econômicos mais que dobraram no semestre, e o estoque é jovem. A demanda é sustentada pelo FGTS. Mas é preciso avaliar o preço do metro quadrado, que varia de R$ 4,3 mil a R$ 6,6 mil, e a capacidade de repasse de custos.

Fontes

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