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Eleições 2026: o que o 1º turno muda para juros, crédito imobiliário e FIIs

Flávio Bolsonaro termina à frente de Lula, mercado reage com forte queda nos juros futuros e disparada de incorporadoras; simulações mostram diferença de até R$ 1.834 na parcela do financiamento

Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura

Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT) no primeiro turno, segundo o TSE. A expectativa de política fiscal mais rígida derrubou os juros futuros e elevou a probabilidade de corte de 0,50 p.p. da Selic em dezembro para 45%. O IMOB opera em forte alta, e incorporadoras disparam mais de 20%, segundo o MoneyTimes; Cyrela e Eztec estão entre os destaques. Simulações do Fala Imobi mostram que a parcela de um financiamento de R$ 500 mil cai de R$ 5.682,74 (juros de mercado) para R$ 4.536,24 (juros regulados), diferença de R$ 1.146,50.

Resultado do 1º turno (Flávio Bolsonaro x Lula)
47,03% x 45,16%
TSE, via InfoMoney, 04/10/2026
Taxa Selic atual
13,75% a.a.
Banco Central do Brasil, 17/09/2026
Probabilidade de corte de 0,50 p.p. da Selic em dezembro
45%
Opções digitais de Copom, via InfoMoney, 05/10/2026
Alta de incorporadoras após 1º turno
+20%
MoneyTimes, 05/10/2026
Parcela financiamento R$ 500 mil (360 meses, juros médios 11,28% a.a.)
R$ 4.662,02
Fala Imobi, com dados do Banco Central, 08/2026

Resultado do 1º turno surpreende mercado

Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 99,99% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dois disputam o segundo turno em 25 de outubro.

O resultado veio acima do esperado e provocou forte reação nos ativos brasileiros. O CDS de 5 anos, termômetro do risco-país, recuou 20 pontos-base, para 113 pontos, de acordo com a S&P Global Market Intelligence. O dólar comercial caiu 4,62%, para R$ 4,97.

O UBS passou a adotar como cenário-base um ajuste fiscal mais profundo e duradouro, com âncora fiscal crível e trajetória de superávit primário.

Aposta em queda mais rápida da Selic ganha força

A chance de o Copom acelerar o corte da Selic para 0,50 ponto percentual em dezembro saltou de 18% para 45% nesta segunda-feira (5), segundo o mercado de opções digitais de Copom. Para a reunião de novembro, a probabilidade de redução de 0,25 ponto avançou para 77%.

Os juros futuros desabaram. O Tesouro Prefixado 2032 recuou 120 pontos-base, maior queda desde 2008. As taxas indicam Selic de 12,50% no fim de 2027, ainda acima da mediana de 12% projetada pelo Boletim Focus.

A Selic atual está em 13,75% a.a., definida na reunião de setembro. O JPMorgan avalia que uma apreciação do real pode abrir espaço para cortes mais rápidos. O UBS pondera que o Banco Central deve manter cautela enquanto as expectativas de inflação estiverem acima da meta de 3%.

IMOB e incorporadoras disparam; Ibovespa renova máxima

O Ibovespa subiu 4,88% na abertura e superou os 200 mil pontos pela primeira vez na história. Grandes bancos lideraram: Banco do Brasil (+10,88%), Bradesco (+10,19%) e Itaú (+9,23%).

O IMOB, índice de empresas do setor imobiliário, operou em forte alta. Incorporadoras dispararam mais de 20%, segundo o MoneyTimes. O JPMorgan elevou a recomendação para Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), citando sensibilidade à queda dos juros.

“Ações mais sensíveis à queda dos juros são as preferidas neste momento”, afirmou o banco. Construtoras de baixa renda, porém, enfrentam risco de menor apoio ao Minha Casa, Minha Vida em um eventual governo Flávio Bolsonaro, alertou o JP.

Simulações: o peso dos juros no financiamento

Com a taxa média de juros do financiamento imobiliário em 11,28% a.a. (agosto/2026, Banco Central), a parcela pela Tabela Price em 360 meses fica em: R$ 2.797,21 para R$ 300 mil; R$ 4.662,02 para R$ 500 mil; e R$ 7.459,24 para R$ 800 mil.

A diferença entre os juros de mercado (14,24% a.a.) e os regulados (10,91% a.a.) é expressiva. Para um financiamento de R$ 500 mil, a parcela cai de R$ 5.682,74 para R$ 4.536,24 — economia de R$ 1.146,50 por mês. Em R$ 800 mil, a redução chega a R$ 1.834,39.

Se a Selic recuar conforme as apostas, os juros dos financiamentos tendem a seguir o movimento. “Quem financiar agora pode, no futuro, fazer portabilidade para uma taxa menor”, orienta a análise do Fala Imobi.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para quem vende: a queda dos juros amplia o número de compradores qualificados. Corretores devem refazer simulações com as novas taxas e mostrar ao cliente a economia mensal — a diferença de R$ 1.146 em um financiamento de R$ 500 mil é um argumento concreto. Para quem investe: FIIs de tijolo e incorporadoras de média/alta renda tendem a se valorizar com a Selic menor. O risco está nas construtoras de baixa renda, dependentes do Minha Casa, Minha Vida, que podem sofrer com eventual mudança de governo.

Perguntas frequentes

O segundo turno pode reverter esse cenário?

Sim. O UBS alerta que o principal risco é uma mudança expressiva na preferência dos eleitores até 25 de outubro. Por isso, a volatilidade deve continuar.

Vale a pena travar o financiamento agora ou esperar?

Depende. Se a Selic cair, os juros dos financiamentos tendem a seguir. Mas a taxa atual de 11,28% já está abaixo da Selic. Quem tem pressa pode negociar um contrato com possibilidade de portabilidade futura.

Fontes

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