O que muda no financiamento imobiliário com as propostas da CBIC para o SBPE?
Entidade pede extensão do teste, manutenção do teto de juros de 12% e mais recursos para habitação
Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura
A CBIC levou ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda, em 29/09/2026, propostas para aprimorar o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Entre elas, a extensão do período de testes até o fim de 2027, a manutenção do teto de juros de 12% ao ano e o aumento de 80% para 90% do direcionamento de recursos para o financiamento residencial. A medida poderia injetar R$ 75 bilhões no crédito para imóveis de até R$ 2,25 milhões.
- Recursos adicionais estimados para financiamento residencial
- R$ 75 bilhões
- CBIC, 29/09/2026
- Proposta de direcionamento mínimo para habitação (ante 80% atual)
- 90%
- CBIC, 29/09/2026
- Teto de juros defendido pela CBIC para o SBPE
- 12% a.a.
- CBIC, 29/09/2026
- Participação da classe média na oferta final de imóveis no país
- 61%
- CBIC, 29/09/2026
- Crescimento do volume financiado via SBPE de jan a jul 2026 vs 2025
- 36%
- CBIC, 29/09/2026
Novo modelo do SBPE está em transição
O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) passa por uma reformulação que altera o direcionamento dos recursos da caderneta de poupança. O novo modelo está em fase de testes ao longo de 2026 e a entrada em vigor integral estava prevista para 1º de janeiro de 2027.
A CBIC defende que o período de testes seja estendido até o fim de 2027. O objetivo é acompanhar os resultados e fazer aprimoramentos antes da implementação definitiva.
A CBIC destacou que a modernização já apresenta resultados positivos, mas que ajustes são necessários diante do cenário de juros elevados e da dificuldade das famílias de renda média em acessar crédito.
Propostas: mais dinheiro para a casa própria
Uma das propostas é ampliar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos do SBPE para o financiamento residencial. Os 10% restantes ficariam para outras operações imobiliárias.
Segundo estimativa da CBIC, a mudança acrescentaria R$ 75 bilhões em recursos para financiamentos residenciais com taxas de até 12% ao ano, voltados a imóveis de até R$ 2,25 milhões.
A entidade também pede a manutenção do teto de juros de 12% ao ano e maior transparência na divulgação dos dados do novo modelo, especialmente sobre o crédito à classe média.
Classe média concentra 61% da oferta de imóveis
Dados apresentados nas reuniões mostram que a classe média responde por 61% da oferta final de imóveis no país. Para o vice-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária, Ely Wertheim, a combinação de juros altos por vários anos e a deterioração da capacidade financeira das famílias dificultou a comercialização desses imóveis.
A Selic está em 13,75% ao ano desde setembro de 2026. A taxa média do financiamento imobiliário para pessoa física ficou em 11,30% ao ano em julho, mas as operações com taxas de mercado chegam a 14,28% ao ano.
A diferença entre as taxas de mercado e as reguladas (10,92% ao ano) é de 3,36 pontos percentuais. Em um financiamento de R$ 800 mil pela tabela Price em 360 meses, isso representa R$ 1.851 a mais na parcela mensal.
Financiamento já cresce em 2026
Entre janeiro e julho de 2026, o volume total de financiamentos para aquisição e construção via SBPE atingiu R$ 115,5 bilhões, alta de 36% em relação ao mesmo período de 2025. O número de unidades financiadas subiu 37%, de 246,4 mil para 337,8 mil.
Os recursos para construção mais que dobraram, passando de R$ 15,6 bilhões para R$ 33,8 bilhões. Na aquisição, o crescimento foi de 18%, para R$ 81,7 bilhões.
Foram utilizados R$ 9,84 bilhões em recursos de tesouraria para financiar produção e aquisição de imóveis no período, o que a CBIC aponta como evidência do funcionamento do novo modelo.
BC e Fazenda analisam as sugestões
Nas reuniões, representantes do Ministério da Fazenda e do Banco Central sinalizaram que as propostas estão em análise. A Secretaria de Reformas Econômicas afirmou que o financiamento imobiliário está entre os temas acompanhados e que as preocupações serão consideradas.
O Banco Central avalia os possíveis impactos das mudanças e considera que eventuais ajustes precisam ser definidos antes da entrada em vigor das novas regras.
A CBIC reforçou que as propostas buscam preservar os avanços da modernização e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso ao crédito para a classe média em um cenário de juros ainda elevados.
O que muda para quem vende e para quem investe
Para o corretor: a ampliação do direcionamento para habitação e a manutenção do teto de 12% tendem a aumentar a oferta de crédito para imóveis de até R$ 2,25 milhões, facilitando a venda para a classe média. Acompanhe a definição das regras e esteja preparado para explicar as condições de financiamento, destacando a economia gerada pelo teto de juros. Para o investidor: o fortalecimento do crédito residencial pode impulsionar a demanda por imóveis de médio padrão, com potencial de valorização. A maior previsibilidade de juros e o aumento do volume financiado são sinais positivos, mas é preciso monitorar a transição do modelo e a velocidade de implementação das propostas.
Perguntas frequentes
O que é o SBPE e por que ele é importante?
O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo é o mecanismo que direciona os recursos da caderneta de poupança para o financiamento imobiliário. Ele é a principal fonte de crédito para a casa própria no país, respondendo por grande parte dos empréstimos para aquisição e construção.
Quando as mudanças no SBPE entram em vigor?
O novo modelo está em testes em 2026. A previsão inicial era de entrada integral em 1º de janeiro de 2027, mas a CBIC pede a extensão dos testes até o fim de 2027. O Banco Central avalia os impactos e considera que eventuais ajustes precisam ser definidos antes da entrada em vigor das novas regras.
Fontes
- https://cbic.org.br/cbic-leva-a-fazenda-e-ao-banco-central-propostas-de-aprimoramento-do-sbpe/
- Série histórica no Fala Imobi: selic
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario-mercado
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario-regulado
- Série histórica no Fala Imobi: concessoes-financiamento-imobiliario
- Série histórica no Fala Imobi: poupanca-sbpe
Adicione o Fala Imobi como fonte preferida no Google · Mais sobre Crédito imobiliário
Leia também
-
Juros do financiamento imobiliário sobem para 11,30% em julho, mas concessões aceleram 5,97%
A taxa média do financiamento imobiliário para pessoa física atingiu 11,30% a.a. em julho, alta de 0,08 p.p. sobre junho, segundo o Banco Central. As concessões somaram R$ 28,2 bilhões, avanço de 5,97% no mês. A inadimplência ficou estável em 1,27% e o saldo da carteira cresceu 1,38%.
27/09/2026
-
Juros de obra em imóvel na planta: como são calculados e por que não reduzem o financiamento
Os juros de obra são um encargo mensal pago pelo comprador durante a construção, calculado sobre o valor já liberado pelo banco à construtora. Eles não abatem o saldo devedor do financiamento. A cobrança cessa com o início da fase de amortização, após a entrega do imóvel, mas pode ser questionada se houver atraso por culpa da construtora.
27/09/2026