Crédito imobiliário com poupança cresce 46,6% em agosto e soma R$ 132,5 bi no ano
Terceiro melhor agosto em 25 anos convive com saída líquida de R$ 47 bi da caderneta; CBIC pressiona por teto de 12% para travar juros ao tomador
Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura
Financiamentos via SBPE atingiram R$ 16,97 bi em agosto (alta de 46,6% a/a), mas caíram 19% ante julho. A poupança registrou saque líquido de R$ 9,5 bi no mês e R$ 47 bi no ano, mantendo a taxa média em 11,28% a.a.
- Concessão SBPE em agosto
- R$ 16,97 bi
- Abecip, Setembro de 2026
- Alta anual da concessão
- +46,6%
- Abecip, Setembro de 2026
- Queda mensal da concessão
- -19%
- Abecip, Setembro de 2026
- Saque líquido da poupança em agosto
- R$ 9,5 bi
- Abecip, Setembro de 2026
- Saque líquido da poupança no ano
- R$ 47 bi
- Abecip, Setembro de 2026
- Taxa média de juros financiamento
- 11,28% a.a.
- Banco Central do Brasil, Agosto de 2026
- Diferença entre taxa de mercado e regulada
- 3,33 p.p.
- Fala Imobi, Agosto de 2026
Terceiro melhor agosto sob pressão do funding
Os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram R$ 16,97 bilhões em agosto, alta de 46,6% sobre agosto de 2025, segundo a Abecip. Foi o terceiro melhor resultado para o mês em 25 anos.
No acumulado de janeiro a agosto, o volume chegou a R$ 132,5 bilhões, avanço de 37,5%. Em unidades, foram 46,8 mil imóveis financiados no mês, queda de 19,2% frente a julho, mas alta de 27,5% na comparação anual.
A desaceleração mensal reflete acomodação após picos anteriores. Nos últimos 12 meses, o crédito imobiliário totalizou R$ 192,4 bilhões, crescimento de 20,2%.
Poupança em fuga acelera custo do dinheiro
Apesar do volume contratual elevado, a base de funding enfrenta drenagem contínua. Os saques superaram os depósitos em R$ 9,5 bilhões em agosto, mais que o dobro do registrado no mesmo mês de 2025.
No ano, a captação líquida da poupança ficou negativa em R$ 47 bilhões. O saldo total caiu 0,62% em relação a julho, para R$ 757,2 bilhões, e está 0,63% abaixo do patamar de um ano atrás.
A escassez de recursos baratos na caderneta pressiona os bancos a buscar funding alternativo ou a manter spreads elevados, mesmo com a Selic em 13,75% a.a. desde setembro de 2026.
CBIC propõe teto de 12% e mais direcionamento
Diante do cenário, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentou propostas ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central para o novo modelo do SBPE. A principal reivindicação é a manutenção do teto de juros de 12% ao ano para operações residenciais.
A entidade também defende elevar de 80% para 90% o direcionamento dos recursos da poupança para o financiamento residencial. A mudança poderia acrescentar R$ 75 bilhões para imóveis de até R$ 2,25 milhões.
Dados apresentados nas reuniões mostram que a classe média concentra 61% da oferta final de imóveis no país. Para Ely Wertheim, vice-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII), a combinação de juros elevados por um período prolongado e a deterioração da capacidade financeira das famílias tem dificultado a comercialização desses imóveis.
Juros de 11,28% e gap de 3,33 p.p.
A taxa média de juros do financiamento imobiliário para pessoa física ficou em 11,28% ao ano em agosto de 2026, conforme dados do Banco Central. O valor representa estabilidade frente a julho (11,30%), mas alta sobre agosto de 2025 (10,49%).
Há uma diferença de 3,33 pontos percentuais entre as taxas de mercado e as reguladas. Enquanto o mercado opera em torno de 14,24% a.a., as linhas reguladas ficam em 10,91% a.a.
Para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 360 meses pela tabela Price, essa diferença gera um impacto de R$ 1.146,50 na parcela inicial, evidenciando o custo do funding não direcionado.
O que muda para quem vende e para quem investe
Para o corretor, a alta de 46,6% na concessão não significa juros baixos: a queda de 19% ante julho e a saída de R$ 47 bi da poupança indicam que o funding está escasso e caro. A taxa de 11,28% a.a. deve permanecer estável ou subir se as propostas da CBIC (teto de 12% e direcionamento de 90%) não forem aprovadas. Para o investidor, o gap de 3,33 p.p. entre taxa de mercado e regulada torna as linhas SBPE tradicionais ainda mais atrativas para quem se qualifica, mas a volatilidade da poupança exige cautela com a previsibilidade do crédito nos próximos trimestres.
Perguntas frequentes
O crescimento de 46,6% no crédito da poupança derruba os juros?
Não necessariamente. Embora o volume contratado tenha subido, a poupança sofreu saque líquido de R$ 9,5 bi em agosto e R$ 47 bi no ano. A escassez de recursos na caderneta mantém a pressão sobre o custo do funding, sustentando a taxa média em 11,28% a.a.
O que propõe a CBIC para o SBPE?
A CBIC defende a manutenção do teto de juros de 12% ao ano e o aumento do direcionamento dos recursos da poupança para o financiamento residencial de 80% para 90%, o que poderia liberar R$ 75 bilhões adicionais para o setor.
Qual a diferença entre taxa de mercado e taxa regulada hoje?
Em agosto de 2026, a taxa de mercado girava em torno de 14,24% a.a., enquanto a regulada estava em 10,91% a.a. A diferença de 3,33 pontos percentuais impacta diretamente o valor da parcela do financiamento.
Fontes
- Abecip - Financiamento Imobiliário
- CBIC leva à Fazenda e ao Banco Central propostas de aprimoramento do SBPE
- Financiamento imobiliário com recursos da poupança cresce 46,6% em agosto, diz Abecip
- Financiamento imobiliário com recursos da poupança cresce em 2026 apesar de saques
- Série histórica no Fala Imobi: selic
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario-mercado
- Série histórica no Fala Imobi: juros-financiamento-imobiliario-regulado
- Série histórica no Fala Imobi: concessoes-financiamento-imobiliario
- Série histórica no Fala Imobi: poupanca-sbpe
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