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O que muda no mercado imobiliário com as sinalizações de Flávio Bolsonaro no 2º turno

Candidato do PL sinaliza rever split payment; Tarcísio de Freitas critica o Minha Casa Minha Vida em evento do setor. IFIX subiu 3,63% após o 1º turno, reagindo à expectativa de juros menores.

Por Kaio Henrique · Publicado em · 3 min de leitura

Flávio Bolsonaro (PL) prometeu revisar o split payment da reforma tributária. Em evento do setor, Tarcísio de Freitas criticou o Minha Casa Minha Vida. O IFIX subiu 3,63% entre 5 e 6 de outubro, com a curva de juros futuros caindo. A Selic está em 13,75% a.a. e o juro médio do financiamento imobiliário, em 11,28% a.a. (agosto/2026). Simulações mostram que a diferença entre taxas de mercado e reguladas pode alterar a parcela em até R$ 1.834,39 para um financiamento de R$ 800 mil.

Alta do IFIX entre 5 e 6 de outubro, após o 1º turno
3,63%
Exame, 07/10/2026
Taxa Selic em 17/09/2026
13,75% a.a.
Banco Central, 17/09/2026
Juros médios do financiamento imobiliário em agosto/2026
11,28% a.a.
Banco Central, agosto/2026
Diferença na parcela entre juros de mercado e regulados para R$ 800 mil (360 meses)
R$ 1.834,39
Simulação Fala Imobi com dados do Banco Central, agosto/2026

O que Flávio Bolsonaro já sinalizou sobre o mercado imobiliário

Em 7 de outubro, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende rever pontos da reforma tributária, incluindo o fim do split payment. A informação foi divulgada pelo InfoMoney.

O mecanismo separa automaticamente IBS e CBS no momento do pagamento e está previsto para se tornar obrigatório em 2028. A equipe econômica do candidato avalia que o modelo prejudica o capital de giro das empresas, especialmente as menores.

Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha, confirmou que um eventual governo Flávio acabaria com o sistema. 'Claro que sim', respondeu ao ser questionada em entrevista ao programa ALive, segundo o InfoMoney.

As críticas ao Minha Casa Minha Vida no evento da Abrainc

Durante evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em 7 de outubro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, que atende famílias com renda de R$ 9,6 mil a R$ 13 mil.

Segundo Tarcísio, a ampliação 'gera um efeito colateral, você está subtraindo o dinheiro e aquelas pessoas mais pobres acabam ficando alijadas do programa habitacional', conforme noticiou o Valor Econômico.

O governador também chamou de 'irresponsabilidade' o uso do FGTS para abater dívidas no programa Desenrola. 'Você acaba usando o FGTS para fazer política anticíclica, para resolver problema de curto prazo, que é o endividamento, e esse dinheiro some para fazer investimento de longo prazo em habitação', afirmou, de acordo com o Valor.

A reação dos fundos imobiliários após o 1º turno

O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) subiu 3,63% entre os dias 5 e 6 de outubro, segundo a Exame. A alta reflete a expectativa do mercado com a dianteira de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Especialistas ouvidos pela Exame atribuem o movimento à queda dos juros futuros. 'Se o novo governo sinalizar uma política menos expansionista e maior controle da trajetória da dívida, isso pode reduzir o prêmio de risco e ajudar na queda dos juros longos, além de abrir espaço para uma Selic menor', disse Michel Bezerra, analista do Trix.

A NTN-B 2035, referência de juro real para FIIs, subiu de 7,33% para 7,92% ao ano entre 20 de abril e 20 de agosto, mas voltou a recuar após o pleito. 'Quando esse cupom cai, o prêmio de risco para se investir em FIIs aumenta, tornando a classe mais atrativa', explicou Isabella Almeida, da Rio Bravo Investimentos, à Exame.

Juros, Selic e o custo do financiamento hoje

A Selic está em 13,75% a.a. desde 17 de setembro de 2026, conforme o Banco Central. A taxa média de juros do financiamento imobiliário para pessoa física ficou em 11,28% a.a. em agosto de 2026.

Simulações com base nessa taxa mostram que um financiamento de R$ 500 mil em 360 meses pela tabela Price resulta em parcela de R$ 4.662,02. Para R$ 800 mil, a parcela sobe para R$ 7.459,24.

Quando se considera a taxa de mercado (14,24% a.a.), a parcela para R$ 500 mil vai a R$ 5.682,74 — R$ 1.020,72 a mais que a parcela pela taxa média. Já na comparação entre juros de mercado e regulados (10,91% a.a.), a diferença de taxa é de 3,33 p.p. e, no financiamento de R$ 800 mil, a parcela é R$ 1.834,39 maior.

O que muda para quem vende e para quem investe

Para o corretor, a sinalização de Flávio sobre o split payment pode reduzir a pressão no capital de giro de incorporadoras e construtoras, o que tende a destravar lançamentos. As críticas ao MCMV indicam que uma eventual gestão apoiada por Tarcísio pode redirecionar recursos do programa, afetando a demanda por imóveis voltados às faixas de menor renda. Para o investidor, a reação do IFIX mostra que o mercado já precifica um cenário de juros mais baixos com Flávio. Se a curva de juros longos continuar cedendo, FIIs de tijolo com contratos longos podem se valorizar. A diferença de R$ 1.834,39 na parcela de um financiamento de R$ 800 mil, na comparação entre juros de mercado e regulados, mexe diretamente na capacidade de compra do cliente.

Perguntas frequentes

O que é o split payment que Flávio Bolsonaro quer rever?

É o mecanismo da reforma tributária que separa automaticamente os novos tributos (IBS e CBS) no momento do pagamento. A parcela do imposto vai direto ao governo, sem passar pelo caixa da empresa. A equipe de Flávio avalia que isso reduz o capital de giro, principalmente de pequenos negócios.

Por que o IFIX subiu após o 1º turno?

O mercado reagiu à expectativa de uma política fiscal mais conservadora com Flávio Bolsonaro, o que derrubou os juros futuros. Com juros longos menores, o valor presente dos aluguéis futuros sobe e os FIIs ficam mais atrativos em relação à renda fixa.

Qual o impacto prático dos juros atuais na parcela do financiamento?

Com a taxa média de 11,28% a.a. (agosto/2026), um financiamento de R$ 500 mil em 360 meses tem parcela de R$ 4.662,02. Se a taxa for a de mercado (14,24% a.a.), a parcela sobe para R$ 5.682,74 — uma diferença de R$ 1.020,72 por mês.

Fontes

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